Como deixar as casas mais frias sem ligar o ar condicionado
As temperaturas em todo o mundo estão subindo. Tanto o Vale da Morte, na Califórnia, quanto a região de Xinjiang, na China, viram as temperaturas subirem acima da marca de 50°C. Uma onda de calor escaldante também está a varrer o Mediterrâneo, fazendo com que as temperaturas em partes de Itália, Espanha, França e Grécia excedam os 40°C.
No futuro, o impacto das temperaturas escaldantes estender-se-á para além das regiões tradicionalmente quentes. Na verdade, a nossa nova investigação indica que, se o aumento da temperatura global aumentar de 1,5°C para 2°C, os países nas latitudes setentrionais como o Reino Unido, a Noruega, a Finlândia e a Suíça enfrentarão o maior aumento relativo em dias desconfortavelmente quentes.
Durante o tempo desconfortavelmente quente, as pessoas procuram formas de refrescar as suas casas. Os condicionadores de ar muitas vezes se tornam a solução padrão quando as temperaturas sobem, pois proporcionam alívio rápido e eficaz do calor escaldante.
Mas os aparelhos de ar condicionado consomem muita energia. Muitos também usam refrigerantes chamados gases fluorados, que apresentam alto potencial de aquecimento global quando vazam.
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A utilização desenfreada de aparelhos de ar condicionado no futuro resultará num aumento das emissões e num maior aquecimento global. Por isso, é importante conhecer os passos recomendados para manter a sua casa fresca diante do aumento das temperaturas, sem causar mais danos ao clima.
Os edifícios podem ser protegidos do excesso de calor criando uma barreira entre eles e os raios solares. Existem diferentes maneiras de conseguir isso, desde telhados refletivos e ventilados até persianas e toldos externos. Uma pesquisa na qual um de nós trabalhou na Espanha descobriu que o uso de persianas externas pode reduzir as necessidades de resfriamento (a energia térmica necessária para manter as pessoas confortáveis) em até 14%.
Mesmo algo tão simples como pintar o telhado com uma cor clara pode reduzir as temperaturas internas. Uma investigação realizada em cidades muito quentes do Paquistão descobriu que, ao reflectir a energia do sol, esta abordagem pode reduzir as necessidades de refrigeração em mais de 7 por cento.
Outra técnica eficaz é aproveitar a sombra proporcionada pelas copas das árvores. Uma investigação realizada em Melbourne, na Austrália, demonstrou que as árvores que cobrem os edifícios à sombra podem reduzir a temperatura da superfície das paredes até 9°C.
Uma forma eficaz de arrefecer um edifício mal ventilado é abrir as janelas quando a temperatura exterior desce. Isso permite que o ar quente escape e convida o ar mais frio a entrar.
Mas recursos adicionais, como chaminés de ventilação e aberturas de ventilação no telhado, podem ser incorporados no projeto do edifício para auxiliar ainda mais o fluxo de ar. Estas características são frequentemente encontradas em climas quentes e áridos, particularmente no Médio Oriente. Historicamente, os edifícios nesta região faziam uso de estruturas altas, semelhantes a chaminés, chamadas coletores de vento, que capturam os ventos frios predominantes e os redirecionam para as casas. Ventilar um edifício com ar frio à noite também pode mantê-lo fresco por mais tempo durante o dia.
Os edifícios também podem ser “ventilados cruzadamente”, onde uma brisa fresca entra por uma abertura e sai por outra no lado oposto. Se necessário, isto pode ser promovido através da incorporação de pátios interiores – um design que tem sido utilizado há séculos em climas mais quentes para manter os edifícios frescos.
Nossa pesquisa anterior descobriu que os pátios internos podem reduzir em 26% o tempo total que precisamos tomar medidas para esfriar (conhecido como horas de desconforto interno).
Nossa percepção de frescor não é determinada apenas pela temperatura. Fatores como umidade e velocidade do ar também desempenham um papel no quão confortáveis nos sentimos.
É aí que os ventiladores são úteis, estejam eles no teto ou sozinhos. Ao combinar ventiladores com ar condicionado, é possível aumentar a configuração do termostato de 24°C para 27°C e ainda sentir frio. Este simples ajuste pode reduzir o consumo de energia doméstica para refrigeração em mais de 20%.
Os sistemas de ar condicionado centralizados também muitas vezes acabam por nos arrefecer mais do que o necessário ou até desperdiçam energia ao arrefecer divisões vazias. Mas podemos resolver isso combinando configurações de refrigeração mais relaxadas, como aumentar o termostato, com dispositivos de refrigeração pessoais, como ventiladores de mesa, assentos refrigerados ou refrigeradores termoelétricos vestíveis. Esses dispositivos permitem que as pessoas tenham mais controle sobre suas necessidades imediatas de resfriamento sem precisar resfriar um espaço inteiro.
